quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Quebrei o Espelho

Por mais que tentei, nunca cheguei a Oz. E andei bastante.
Quis muito. Me perdi. Desencontrei.
Estive vazio por tanto tempo. Vivendo de miragens. Esperando alguma dádiva.
Que poeta se contenta com o que vê?
Hoje o dia amanheceu diferente. Igual aos outros. Mas tive boas notícias. A neblina baixou. Just a little.
Repensei atitudes. Inventei gestos. Discuti métodos. Concluí.
Do lado de cá desse espelho, o calor resfria. Minhas mãos aquecem seu rosto. Mas não sentem o gosto. Por que gosto de você?
Quebrei o espelho. E nem nos cacos descobri. Mas me feri. De vida. Fragmentos de desejo…
Queria um coração. De lata. Pra não sentir. Ser insensível. Resvalar na dor que nos assola, sem tocá-la.
Paciência. – A vida gritou -
Se assim deve ser, imagino que as cores sejam destinadas aos cegos. Desiludidos da percepção. Alheios à voracidade da inverdade.
Sou fera. Estraçalhado pela estupidez. Humano, mas desgarrado. Desvinculado da arrogância.
Assim sou. Sem perceber. Me olho mas não vejo. Procuro nos outros o que não acho em nós. Imortalidade. Cumplicidade.
E eu continuo andando. Procurando Oz.

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